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QMC obtém crédito de R$ 150 milhões

18 de Maio de 2019

A QMC Telecom International, que constrói, aluga e administra torres de telefonia móvel, obteve um empréstimo de R$ 150 milhões da filial paulista do Banco ING para a operação brasileira. Com isso, a companhia ganha um reforço financeiro para o desenvolvimento de novas torres e aquisições de empresas do setor. 

O empréstimo, assinado nas últimas semanas entre as subsidiárias brasileiras da empresa e o banco, é na modalidade "delayed draw", que permite ao tomador fazer retiradas programadas ao longo do contrato. No caso da QMC, entre 2018 e 2019.

A vantagem dessa modalidade é a disponibilidade de dinheiro sem ter o custo correspondente no balanço da empresa, disse ao Valor Jose Stella, copresidente e fundador da QMC. "Nossa demanda de investimento não é linear, cada mês tenho uma necessidade de produção, é variável", afirmou ele, referindo-se às torres.

A QMC já tem acordo com todas as operadoras de telefonia móvel e faz seus investimentos para atender à demanda delas, de acordo com Rafael Somoza, também copresidente e fundador da companhia. "A construção de torres é sob demanda", afirmou. A companhia também tem algumas torres para atender operadores de TV e provedores de internet.

Fundada em 2008 em Porto Rico, onde está a sede, a QMC atua no Brasil desde 2012 e tem operações também na Colômbia e no México. A companhia conta com 1,6 mil ativos wireless instalados e gerando receita - são majoritariamente torres e "rooftops", como são denominadas as pequenas estruturas instaladas no topo dos edifícios. Se incluir os ativos em desenvolvimento, o número supera 2,1 mil. Do total, 75% estão concentrados no Brasil, segundo a QMC.

Com esse financiamento, Somoza calcula que poderá construir 500 torres em dois anos. Isso dá um custo médio de R$ 300 mil por unidade. Os recursos, segundo o executivo, vão solidificar a posição financeira da empresa e adicionar capacidade de investimento para equilibrar o capital próprio, "que já é forte". Sobre as eventuais aquisições, ele preferiu não comentar.

Companhia tem 2,1 mil torres entre as instaladas e em desenvolvimento, 75% das quais no Brasil

Os executivos não revelam a distribuição geográfica das novas torres, afirmam apenas que serão construídas em todo o país. O mercado nacional ainda tem necessidade de melhorar a cobertura, principalmente com a expansão da rede de quarta geração (4G) de telefonia móvel e o uso de dados cada vez mais intensivo, dizem os executivos, que residem em São Paulo há seis anos.

O setor de infraestrutura estima que existem de 60 mil a 70 mil torres no Brasil, para mais de 235 milhões de celulares. As estimativas indicam que haja de 3 mil e 4 mil usuários por torre no país, comparado à faixa de 500 a 800 usuários por equipamento nos Estados Unidos. Quanto mais usuários em uma torre, pior a qualidade do serviço. A necessidade de novas unidades é tanto para melhorar a cobertura quanto expandir para novas regiões.

Somoza destacou que o segmento de torres tem três principais fatores que impulsionam os negócios: a economia do país; a tecnologia da geração de telefonia móvel - 3G, 4G etc. -; e o ciclo de investimentos das operadoras, de acordo com o orçamento anual e a disponibilidade delas. "É isso que determina qual é o mercado de novas torres no Brasil, disse o copresidente. "O mercado é muito competitivo."

As empresas do setor reclamam que a legislação para implantar torres ainda depende de regulamentação municipal, o que dificulta o trabalho. "Cada vez que a gente tenta colocar uma torre, precisa de uma licença. Isso causa incertezas e atrasos", disse Somoza. "Se as regras ficarem mais claras, ajudarão toda a indústria e darão mais certeza às operadoras para investir."

A QMC não revela seus resultados financeiros, mas os executivos afirmaram que tiveram crescimento expressivo de receita no ano passado. O primeiro trimestre de 2018 começou bem e foi melhor que igual período de 2017, mantendo um ritmo ascendente, disseram.

A companhia já recebeu aportes de investidores. Em 2015, a americana Accel Partners liderou um grupo que investiu 100 milhões na QMC. Entre seus investidores, estão a gestora de private equity Housatonic Partners; a Quadrant Capital Advisors, consultoria de investimentos exclusiva da família de Julio Mario Santo Domingo; e a empresa independente de gestão de investimentos Peterson Partners. A QMC já levantou capital equivalente a US$ 172 milhões.

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